Reli a nossa história para te encontrar.
Embora a tua energia tivesse continuado por perto, cheguei à conclusão que te perdi de vista, na fúria de tecer a minha história.
Mas, deixa-me voltar para junto de ti. Vês essa mulher que faz a travessia, com asas de sonho e despida de mundo?
Ela foi o início, ela foi a chave que rodou na fechadura da porta, encerrada há muitos anos atrás. Para lá da porta estavam guardados os meus sonhos.
Sonhos postecipados, mas não esquecidos.
No dia em que ela levantou voo, descobri que a realidade que estava a viver, me estava a matar. Parei no tempo, esbarrei de frente com a minha sombra, mergulhei no mais profundo do meu lado negro. Não encontrei na historia desta minha vida, nada que dissesse que merecia fazer o que só me dava retorno de tristeza.
Lembro-me de um dia um cigano velho me ter olhado fundo nos olhos e com imenso carinho ter perguntado.."porque é que cortas as tuas asas". E comecei a deixa-las crescer, devagar, ao mesmo tempo que os meus pés avançavam passo a passo e as minhas costas se endireitavam.
Chamem-lhe fraqueza, chamem-lhe loucura, virei as costas, sem justificações, sem desculpas, cortei os fios que me ligavam ao passado e nasci noutro Universo.
Sabes, é difícil não tremer depois de ter gatinhado durante tantos anos. A cada passo em frente sinto mais firmeza.
Não vou dizer-te que é facil. Quando penso que o meu poder pessoal está maior, há um qualquer acontecimento que vem mostrar a fragilidade que ainda me envolve.
É a minha batalha e dia a dia, repito, qual ladainha, qual reza á Deusa,...vou conseguir construir a minha realidade, aquela que eu mereço e que quero viver.
Perguntas em que parte do bosque me encontro, abri-te as portas da caverna onde me recolho, qual ventre da mãe.
Diz-me qual o nome do estágio se o conheces, minha amiga.


