quarta-feira, 7 de novembro de 2012




Dizia a minha amiga do coração Maria Izabel Viegas, sobre o Mistério

(...)O Mistério nos permite mergulhos, oscilações,(...)
E fez-me mergulhar no espaço momento em que os meus olhos se fixam no toque do pincel.
Solto e observo alucinadamente o movimento autónomo da multidão unida das cerdas .
Alheio-me do que me rodeia, mas oiço o que se passa.São vozes intromissoras, com frases sem sentido, só para me lembrarem que lhes pertenço e não sou senhora do pincel que se movimenta dançando à frente dos meus olhos.
E depois é o mistério, do mergulho, do avanço, da expectativa do traço que voou, para quê, porquê. Foi deslize meu ou rebeldia do pincel.
Mistério é o tempo parar no momento em que esta dança começa.
Mistério é deixar de sentir o meu corpo.
Mistério é esta explosão de mim no todo e deixar de ser eu, como penso que sou.
Mistério é, se o momento é agora ou se o agora é só uma suave compensação pelo que podia ter sido e não foi.
Mistério é não saber.
Mistério é não saber donde vem esta paz que me faz deixar ir, fluir, sem expectativas.
Mistério é não me conhecer e não me importar.
Quando deixo de me importar o Mistério acaba.
Tudo É.

Ana Lúcia Sobral